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Cícero Manoel tem 38 anos, nasceu, vive e trabalha em Teresina, Piauí. Longe, portanto, da agitação cultural dos grandes centros. Acontece que Cícero Manoel, o artista em pauta, é um excelente desenhista, dono de traço leve, criativo, raro num jovem que praticamente jamais saiu dos limites do seu estado natal, afora algumas participações em exposições coletivas de artistas piauienses em Fortaleza e Brasília. Formado em Letras pela Universidade Federal do Piauí, nunca lecionou; por outro lado, deu vazão à sua evidente veia artística, elegendo o desenho como meio de expressão. Uma opção, aliás, que muito o credencia, não fosse o desenho a base de qualquer criação artística. Como dizia Mário de Andrade, "o desenho fala, chega mesmo a ser muito mais uma espécie de escritura, uma caligrafia, que uma arte plástica". Cícero Manoel não é um artista que enfrente como desafio as grandes dimensões da tela ou do papel. Seus trabalhos, geralmente de pequenas dimensões, são até parcimônicos em relação ao traço; porém, observando-se atentamente cada um desses trabalhos, o artista praticamente consegue transmitir toda a sua emoção, sejam nas obras em preto e branco, sejam naquelas onde, através do nanquim, do lápis cera, do pastel oleoso e o lápis de cor, usa o colorido de maneira sensível e criativa. Sensibilidade, aliás, é o que não falta na obra de Cícero Manoel. Por isto encanta e atrai o olhar do espectador. Há uma enorme empatia entre seu trabalho e o público, isto é inegável. Cada trabalho é uma lição de elaborada composição, minuncioso nos detalhes, impecável como técnica e revelando-o um atento observador de temas que lhes são caros, desde as igrejas do seu estado natal, às coisas que lhes rodeiam e que fazem dele um artista que fala do real, mesmo quando geometriza ou abstraia as formas. Geraldo
Edson de Andrade
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