|
A
ESPONTANEIDADE DA FORMA E O VIGOR DA FIGURAÇÃO |
|
|
Pois
é este pintor, dono de vontade férrea e com garra suficiente
para atingir ao que realmente deseja, o que mais caracteriza sua pintura.
Ao deixar sua cidade natal, João Pinheiro, no interior do Estado
de Minas Gerais, seu objetivo já estava definido. Com vocação
nata para o desenho desde criança, e bastante audacioso no que
diz respeito ao seu talento, enfrentou o Rio de Janeiro de maneira decisiva.
Justamente com Sâo Paulo, o Rio sempre exerceu enorme fascínio
entre os artistas regionais,ou sejam, aqueles atuantes fora do seu eixo,
pois foi uma cidade cantada em prosa e verso pelos nossos mais ilustres
vates. Um cidade, portanto, que respirava cultura e com a vantagem de
projetar o artista Brasil a fora. No Rio de Janeiro, Saulo Silveira transformou-se num excelente profissional do desenho publicitário, sendo disputado pelas mais importantes agências do país.O sucesso nessa área, porém, serviu apenas como trampolim para vôos mais ambiciosos, qual seja a pintura plena.O veículo que utilizou foram os salões de arte, certames nacionais que se realizam anualmente em várias regiões do Brasil.
Impressionou-me sobretudo a sua segurança como pintor numa linguagem como o abstracionismo, levando-se em conta que, no Brasil, há um verdadeiro celeiro de excelentes pintores abstratos, apesar de a figura ainda ser um dos esteios da nossa arte desde os pioneiros anos de sua formação. Ressalte-se que a contemporaneidade da arte brasileira data de 1951 quando foi realizada a Primeira Bienal Internacional de São Paulo, com a presença significativa de consagrados artistas modernos e de importantes críticos de arte, como Herbert Read, Lionello Venturi e outros.
A
bienal paulista, portanto, teve entre outros méritos o de introduzir
entre os artistas brasileiros novas e fascinantes linguagens contemporâneas,
como o concretismo desenvolvido pelo suíço Max Bill, justamente
um dos premiados naquela lª Bienal Internacional. Pintores brasileiros já tinham direcionado seu trabalho para o não figurativo, como o pernambucano Cícero Dias, em 1945, o romeno Sanson Flexor e o cearense Antônio Bandeira. As tentativas da criação de uma arte concreta brasileira foram conceituadas por jovens pintores radicados em São Paulo e no Rio de Janeiro, com o néo-concretismo, mas o l° Salão de Arte Abstrata no Brasil só seria inaugurado oficialmente em 1953, no qual emergiram nomes como Fayga Ostrowe, Ivan Serpa. Décio Viera, Volpi e muitos outros.
Infelizmente não chegou à primeira premiação mas conquistou uma honrosa terceira colocação. Seus trabalhos foram selecionados para uma grande exposição que, inaugurada em São Paulo, foi posteriormente montada no Rio de Janeiro. Durante certo período, Saulo Silveira faz da não figuração sua linguagem principal. Foram telas de grandes dimensões nas quais uma determinada cor era o motivo a ser decantado nas suas diversas nuanças, com excelente textura, na qual sobressaíam as fortes pincelas gestuais do autor. Com essas pinturas, com as quais participou de outros salões de arte e expôs em algumas mostras coletivas, que Saulo Silveira chegou a Lisboa.
Como todo artista, Saulo Silveira quer mais, muito mais. Sua etapa artística seguinte foi conseguir a junção entre o abstracionismo e a figura. Proposta ambiciosa sem dúvida. Nela, muitos artistas famosos sucumbiram.Dono de sólida técnica, em que emprega materiais diversos e pinceladas de lúdico gestualismo, o artista brasileiro deu vazão à sua tendência de pintar telas de enormes dimensões, obtendo uma fascinante combinação do abstrato com a figuração, muitas vezes apenas sugerida pelo vigor do seu desenho. Desenhista Saulo Silveira sempre foi.Um desenhista nato, autodidata, que foi aperfeiçoando a técnica ao longo de sua passagem pela publicidade. A facilidade com que percorre as linhas da composição eas integra no gestual das pinceladas é o que mais fascina nas suas atuais pinturas. Nada
é gratuito em suas telas. O que faz uma pintura uma obra de arte é a sinceridade do seu criador com o tema que desenvolve. No caso de Saulo Silveira, a simbiose de linguagens lhes proporciona fincar uma pincelada no seu interior mineira e expandir pelo mundo seu vocabulário plástico com a força telúrica de sua pintura. Mais sincero em sua criação, impossível.
GERALDO EDSON DE ANDRADE |
|
| | Home | Galeria | Percurso | Críticas | Links | |
| Contactos: Saulo Silveira | Webmaster |